quinta-feira, 7 de outubro de 2021

 

Quem foi Lilith, a primeira mulher de Adão

Tradições hebraicas, pergaminhos babilônicos e até vestígios na própria Bíblia dão dicas de que uma figura feminina não tão submissa a Adão pode ter sido apagada da tradição judaico-cristã.

Por Gabriela Portilho Atualizado em 9 abr 2021, 13h13 - Publicado em 11 dez 2015, 15h47

Desaparição editorial

No primeiro capítulo do livro Gênesis, que faz parte da Torá e da Bíblia, Deus cria “homem e mulher” à sua imagem e semelhança. Mas, logo no capítulo seguinte, somente Adão é mencionado. Onde foi parar a mulher do primeiro capítulo? É só no segundo capítulo que Eva é criada, e no terceiro que recebe seu nome. Essa inconsistência sugere que parte do texto tenha sido editada ou removida.

Lilith já estava lá

O registro mais antigo dessa figura está nas gravuras dos amuletos de Arslan Tash, relíquias que datam do século 7 a.C. Alguns historiadores argumentam ainda que Lilith é mencionada ainda antes, na demonologia suméria do terceiro milênio a.C. Na Épica de Gilgamesh, poema mesopotâmio de 2100 a.C., há uma possível menção a Lilith como demônia. Ou seja, Lilith já era conhecida antes de compilarem o Gênesis, o que reforça a teoria de que foi “apagada da história”.

Primeira mulher, primeira rebelde

Segundo o Alfabeto de Ben Sirá, um dos textos que compõem a coleção de escritos rabínicos chamado Talmud, Lilith foi criada a partir da poeira junto a Adão – portanto, antes de Eva. Mas ela negou-se a deitar sob ele na hora do sexo por não se sentir inferior e, em protesto, abandonou o Éden. Ou seja: segundo o antigo folclore judaico, Lilith rebelou-se contra a “superioridade” masculina de Adão, o que a torna uma figura problemática para o judaísmo e para o catolicismo, que são religiões patriarcais.

“Agora sim”

Outra evidência de que Eva não foi a primeira pode ser encontrada nos versículos de sua criação, no capítulo 2 do Gênesis. Em várias edições do texto, Deus decide dar ao homem uma companheira “idônea”, o que sugere que alguma primeira parceira,”não idônea”, já tinha sido criada antes. Reforça essa teoria a fala de Adão em certas edições da Bíblia (como a King James Atualizada) quando vê Eva: “Esta, sim, é osso dos meus ossos”.

Motivação política

Outro motivo para Lilith ter sumido do Gênesis seria histórico. Durante anos nos séculos 7 e 6 a.C., os hebreus, patriarcas da tradição judaico-cristã, ficaram exilados na Babilônia. Durante essa época, os babilônios passam a adorá-la, cultuando-a como deusa da fertilidade. Por ser adorada por seus captores babilônicos, os hebreus retiraram Lilith do mito de criação da humanidade, e subsequentemente do Gênesis judeu e católico.

Mulher-coruja

Lilith também é citada em Isaías, que faz parte tanto da Torá quanto da Bíblia. Porém, ao longo de diversas traduções, seu nome foi sendo suprimido até virar “animal noturno” ou “coruja”. Só algumas traduções que usam como base os textos em hebraico (mais antigos) mantêm “Lilith” em Isaías 34, no trecho em que o profeta descreve como a ira de Deus destruirá a Babilônia e, na terra desolada, Lilith encontrará um lugar para repousar. Ou seja: o profeta conhecia a figura da “primeira mulher”.Textos hebraicos e rendições artísticas de Lilith a descrevem como uma mulher alada e serpentina. Então, dá para associá-la à figura da serpente alada do Éden.

Linhas tortas

A Igreja Católica, em particular, deu um “delete” definitivo na única menção a ela dentro da Bíblia na metade do século 16, durante o Concílio de Trento. Nele, a Igreja decidiu tornar “oficial” a Bíblia Vulgata, uma tradução para latim do século 4 que já havia trocado a palavra “Lilith” em Isaías 34 por “ibis”. A adoção de uma versão da Bíblia que já tinha dado sumiço em Lilith permitiu que ela fosse aos poucos desaparecendo da tradição católica.

O outro lado

Essas são, resumidamente, as evidências à favor da existência de Lilith, apontadas por diversas fontes. Mas existem explicações oficiais para cada uma delas, que listamos a seguir. A primeira é que a interpretação acadêmica dominante sobre o Gênesis diz que a “incoerência” entre o primeiro e o segundo capítulo seria reflexo da tentativa de juntar dois mitos de criação em um livro só, e não sinais de que parte dele foi “apagado”.

Também há quem leia o primeiro capítulo como um resumo geral da criação do mundo, para só no segundo entrar em detalhes. Assim, informar que Deus fez o homem e a mulher sem especificar seus nomes seria um recurso semelhante ao que um jornalista faz quando resume a notícia para o leitor no primeiro parágrafo e só depois se aprofundar nos seguintes.

Saindo da Bíblia e analisando evidências provenientes de outras tradições, a situação não melhora muito. Todas as conexões entre a figura do folclore judaico Lilith e as civilizações pré-cristãs são contestáveis. Alguns consideram os amuletos de Arslan Tash falsificações. A passagem da Épica de Gilgamesh que cita Lilith pode ser uma adição do século 6 a.C., e seu significado é incerto.

O único texto que de fato menciona Lilith como primeira mulher de Adão é o Alfabeto de Ben Sirá, do século 7, que alguns consideram satírico, embora faça mesmo parte do Talmud judaico. A questão é que textos sagrados não são livros de história. Discutir o que “realmente” aconteceu no Éden é igual a discutir se Capitu traiu Bentinho: não há uma resposta.

Fontes: livros Jardim do Éden Revisitado, de Roque de Barros Laraia, Lilith e o Arquétipo do Feminino Contemporâneo, de Cátia Cilene Lima Rodrigues, Como Ler o Gênesis, de Tremper Longman, The Epic of Gilgamesh: The Babylonian Epic Poem and Other Texts in Akkadian, de Andrew George, TanachTalmud e Épica de Gilgamesh, e sites Bible GetawawSacred TestsBiblioteca Pleyades e dss.collections.imj.org.il

 

 Lilith


Por Felipe Araújo

Ouça este artigo:

O mito de Lilith é encontrado em muitas culturas. Na mitologia da Babilônia, Lilith era um demônio com corpo de mulher que vivia no inferno. Entre outros documentos onde sua história pode ser encontrada, há uma referência na Cabala, em que ela é apresentada como a primeira mulher de Adão, personagem bíblico do mito de Adão e Eva. Em uma das passagens da história bíblica, o demônio feminino é acusado de assumir forma de serpente e influenciar Eva a provar o fruto proibido.


Criado em meados do século VII, o Alfabeto de Ben-Sira, apresenta Lilith como uma antecessora de Eva. Antes desta citação, não havia qualquer ligação entre sua figura e a parábola da Criação e com Adão e Eva. Na idade contemporânea, a figura do demônio feminino tem sido muito discutida por teólogos e estudiosos da mitologia, a questão mais relevante desta discussão é se a história de Lilith é o ou não apresentada na Bíblia.



Na mitologia mesopotâmica, Lilith era associada à figura de um demônio noturno do sexo feminino. Nesta cultura, a criatura sombria simbolizava o vento e, por isso, tinha sua imagem relacionada a pestes, mal-estar e à morte. Para entrar em contato com seu universo, Lilith utilizava-se da água como portal. Já na mitologia hebraica, com citações no Midrash e Talmud, Lilith também é vista como um demônio.


Entre os sumérios, em meados de 3000 a. C., Lilith era conhecida pelo nome de Lilitu. Naquele período, sua figura apareceu, em um primeiro momento, na representação de um grupo de demônios ou espíritos relacionados às tormentas e ventos. De acordo com alguns mitólogos, em 700 a.C. ocorreu a alteração do nome para Lilith. Assim como na Suméria, os povos da Babilônia associavam Lilith com espíritos ruins e entidades demoníacas. Simbolizando-a pela lua, os babilônicos acreditavam que o demônio feminino variava entre fases ruins e boas.


Na época contemporânea, ocorre outra interpretação da imagem de Lilith, que deixa de ser apenas um demônio feminino maligno para se tornar, entre os românticos, um símbolo de sensualidade e sedução. Essa alteração ocorreu entre intelectuais de origem europeia, que homenagearam Lilith em obras como o quadro de John Collier, de 1892, no qual a criatura é retratada como uma mulher sensual envolta por uma serpente.  Desta forma, Lilith deixa de ser associada ao mal, à proliferação de doenças, entre outras pestes.


Fontes:

http://en.wikipedia.org/wiki/Lilith

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-77011997000100005&script=sci_arttext

http://www.revistaancora.com.br/revista_2/01.pdf

http://pt.scribd.com/doc/18314563/O-Mito-de-Lilith


Texto originalmente publicado em https://www.infoescola.com/mitologia/lilith/


Arquivado em: Mitologia

ALTO ASTRAL
ALTO ASTRAL
Não só Eva: conheça Lilith, a suposta (e feminista) primeira mulher de Adão
Barbara Eugênia interpretou a deusa em "O Despertar de Lilith" - Divulgação
Barbara Eugênia interpretou a deusa em "O Despertar de Lilith"
Imagem: Divulgação
Heloísa Noronha

Colaboração com Universa

13/11/2019 04h00

Existem várias lendas a respeito de Lilith, deusa sumério-babilônica relegada ao papel de demônio na antiga religião judaica. Excluída da versão final da Bíblia, Lilith teria sido a primeira mulher de Adão, e não Eva.

Porém, se revoltou com o machismo do primeiro homem criado por Deus e foi embora. Como todo mito, há diversas informações — a maioria, evidentemente, sem comprovação. Veja, a seguir, curiosidades sobre essa deusa, tida como a primeira feminista por se rebelar contra normas patriarcais:


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O mito de Lilith começou na Suméria, no sul da Mesopotâmia, onde atualmente se localiza o Iraque e o Kuwait. Seu nome vem da palavra "Lil", que significa "ar", mas o termo mais antigos associado a ele é Lili, de plural Lilitu, que quer dizer "espírito". Na antiguidade, expressões associadas ao ar e ao sopro também era utilizadas para "espírito".

Sua imagem muda de cultura para cultura, sendo que a associação com poderes demoníacos foi ganhando força à medida que valores patriarcas passaram a dominar a cultura. Em princípio, foi uma deusa muito cultuada na Mesopotâmia e comparada à lua negra, à sombra do inconsciente, ao mistério, ao poder, ao silêncio, à sedução, à tempestade, à escuridão e à morte.

Lilith foi frequentemente representada com cabelos longos, asas, corpo curvilíneo e sensual e pés em forma de garras de coruja. Na maior parte das vezes, surge em gravuras antigas sem roupas para representar sua natureza selvagem e indomável. Em outras, aparece sobre um leão e com uma coroa da realeza sumeriana.

Segundo as lendas do folclore hebreu medieval, Lilith rejeitou Adão quando ele tentou forçá-la a ocupar uma posição mais submissa, não só no relacionamento entre os dois como no sexo. Todas as vezes em que os dois transavam, Lililth reclamava de ter de ficar por baixo. Para ela, ambos deveriam ter direitos iguais, já que tinham sido criados da mesma forma — ou seja, feitos com o mesmo barro.

Adão, porém, se recusava permitir que ela o montasse, argumentando que não deveria ser mudada. Cansada de lutar em vão por igualdade, Lilith se revoltou: amaldiçoou o parceiro e, com seus poderes mágicos, voou para o Mar Vermelho. Ou seja, Lilith rebelou-se contra a "superioridade" masculina de Adão, o que a torna uma figura problemática para o judaísmo e para o catolicismo, religiões patriarcais.

De acordo com o "Talmud", uma coletânea de textos sagrados do judaísmo rabínico de viés satírico, Lilith foi criada por Deus da mesma forma que Adão — exceto que, em vez do barro, as mãos divinas usaram lodo e fezes para moldá-la, materiais que comprovam o teor misógino e machista da obra.

Ainda de acordo com essas lendas, registradas no controverso livro "O Alfabeto de Ben-Sirá", após abandonar Adão ela teria copulado com vários demônios e tido filhos com eles. Para levá-la de volta ao Éden, Jeová enviou seus anjos Sanvi, Sansavi e Samangelaf para convencê-la, mas Lilith recusou. Diante disso, Jeová decidiu criar Eva para fazer companhia a Adão. Para fazê-la mais dócil e obediente, a tirou das costelas do primeiro homem. Lilith, então, transformou-se numa serpente e enrolou-se na Árvore do Conhecimento para tentar mostrar a Eva a importância de buscar sua liberdade. Eva, então, comeu o fruto e cometeu o chamado "pecado original".

Os anjos enviados por Jeová repreenderam Lilith matando seus filhos. Como não podia vencê-los, a deusa concordou não se aproximar de nenhum bebê que fosse protegido pelo amuleto com os nomes dos anjos Sanvi, Sansavi e Samangelaf — isso porque, conforme algumas crenças, Lilith era considerada uma devoradora de crianças recém-nascidas. O curioso é que, em princípio, Lilith trazia bençãos para os bebês. As religiões patriarcais a transformaram numa vilã e exemplo das consequências de uma mulher ter a sexualidade livre e desobedecer o marido.

Segundo Roberto Sicuteri autor do livro "Lilith, A Lua Negra" (Ed. Paz e Terra), houve uma transposição da versão javista da Bíblia para a versão sacerdotal. Foi aí que a lenda de Lilith teria sido eliminada da Bíblia, fazendo todos crerem que foi Eva a primeira mulher, mas em Isaías 34,14 ficou um indício sobre Lilith quando "animais noturnos" são mencionados. Em algumas edições, no capítulo II do Gênesis, uma companheira idônea é mencionada no texto. Quando o primeiro homem vê Eva, ele diz: "Esta, sim, é osso dos meus ossos", o que evidencia a possibilidade de Lilith ter sido criada anteriormente. No entanto, é válido saber que tanto o Gênesis quanto Isaías são textos antigos, de origens incertas, que passaram por diversas traduções e não contam com versões "definitivas".

Os povos antigos também acreditavam que escutar o grito de uma coruja era sinal de que Lilith estava por perto. Um de seus nomes, aliás, era "Grito da Coruja" por simbolizar o clamor e os desejos de todas as mulheres por igualdade.

Entre os católicos, sua imagem ganhou popularidade a partir do crescimento dos estudos de demonologia, a partir do século XIV. Sua representação a relaciona tanto com as sereias gregas quanto com as aves noturnas. É aí, também, que nascem os mitos de "mãe dos vampiros" e de "bruxa". Até o século XIX, Lilith ainda era tida como um demônio e encontram-se vestígios dos feitiços de proteção utilizados contra ela.

Como a deusa grega Hécate, Lilith é tida uma patrona das bruxas. Porém, é visualizada como uma feiticeira atraente e sedutora, uma "femme fatale", a personificação do poder feminino e misterioso da Lua.

Conecte-se com Lilith
Segundo a filosofia Wicca, Lilith pode ser invocada para pedidos envolvendo sensualidade, sexo, magia, poder, força, igualdade, sabedoria, prazer e sedução. Além da coruja, outros de seus símbolos são o salgueiro, a lança, a serpente, pedras furadas e a pérola negra. As plantas correspondentes aos poderes de Lilith são o lírio e o estragão. É possível utilizá-las através de essências, óleos aromáticos, banhos, pós, incensos, talismãs ou simplesmente para enfeitar a casa.

Para se conectar com esse deusa, o sacerdote wiccano Claudiney Prieto recomenda ungir a pérola negra com o sumo do estragão numa segunda-feira de lua nova, pedido que ela traga as bençãos da sensualidade. As cores de Lilith são vermelho, preto, cinza, lilás e branco. Os seguidores da Wicca, aliás, são os responsáveis pelo resgate da antiga valorização de Lilith como deusa pagã e símbolo de independência, rebeldia e da luta das mulheres contra o patriarcado.

A cultura pop volta e meia menciona Lilith. Na série "Supernatural", cuja última temporada vem sendo exibida no Brasil pela Warner Channel, ela foi criada por Lúcifer, anjo criado por Deus que se rebelou contra o criador, tem os olhos brancos e surge inicialmente como uma doce garotinha. Outro exemplo é o filme de vampiro cult "O Despertar de Lilith" (2016), em que a cineasta brasileira Monica Demes usa a mitologia da deusa para contra a trajetória de libertação sexual de uma mulher com um casamento infeliz vivida pela cantora Bárbara Eugênia.

Livros consultados: "Enciclopédia da Bruxaria" (Madras), de Doreen Valiente; "História da Bruxaria" (Ed. Goya), de Jefrrey B. Russel e Brooks Alexander;
"O Livro Ilustrado da Mitologia" (Publifolha), de Philip Wilkinson; "Todas as Deusas do Mundo - Rituais Wiccanianos para Celebrar a Deusa em suas Diferentes Faces" (Ed. Alfabeto), de Claudiney Prieto

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Lilith - a Lua sombria

Um ponto obscuro do mapa astral
Lilith - a Lua sombria
Por Astrolink em Astrologia

Falar sobre Lilith, tanto a nível astronômico quanto astrológico, não é uma tarefa simples. O assunto possui alguns detalhes peculiares e algumas controvérsias. Astrologicamente, não é algo utilizado por todos os astrólogos ou ordens esotéricas, sendo relegado a um oceano de dúvidas, lendas e informações diversas ao longo do tempo, passando pela mão de curiosos e estudiosos.

Para remontar a figura de Lilith, a astrologia ocidental foi beber na fonte babilônica. Tal mito chegou até nós através do contato com povos antigos que interagiam naquela região e foram os precursores do estudo da astrologia. Foram essas civilizações ancestrais que passaram a cultuá-la, mas também por disseminar a sua essência demoníaca.

As origens mitológicas de Lilith

Reza a lenda que Lilith, teoricamente, foi a primeira mulher de Adão, sendo exilada do paraíso e obrigada a viver nas profundezas das águas do mar, junto com os demônios com os quais mantinha relações sexuais. Insaciável, buscava sempre satisfazer seus desejos mais impetuosos. Por este motivo, muitas vezes sua presença no mapa é atrelada a temas como compulsão sexual, perversões e algumas derivações obsessivas.

Outro ponto importante é o fato da astrologia se basear, obviamente, em elementos da astronomia em seu cerne. Assim, podemos traçar um paralelo do exílio de Lilith com o apogeu da Lua, que é quando o satélite natural está mais distante da Terra, como se também tivesse sido exilado do nosso sistema solar.

A figura mítica de Lilith remonta a um passado cultural e histórico em que é atribuída à mulher uma essência diabólica, principalmente àquelas que ousam desafiar os homens, seja fisicamente ou no campo das ideias, sendo mais sábias e oferecendo uma ameaça intelectual, formando um arquétipo sombrio que se perpetua ao longo do tempo e em várias sociedades.

Tanto a mitologia babilônica quanto a mesopotâmica descrevem Lilith como um demônio associado às trevas e ao lado feminino, fazendo referência a episódios de destruição e ligados à morte. Na mitologia Suméria, Lilith também é apresentada como um demônio, só que de uma maneira diferente. Ela ganha forma de ventos com forte poder de destruição, tendo como maior símbolo de representação a Lua.

Em muitas épocas, a imagem da mulher como demônio ou símbolo de tentação foi usada pelo senso comum para levar muitas mulheres para fogueira. Ao longo do tempo, essa justificativa encontrou ressonância principalmente no cerne da sociedade medieval, que tecia muito de suas crenças através da mitologia, principalmente na fase mais obscura da igreja católica com seus tribunais de inquisição que acusava muitas mulheres de bruxaria.

Além dessas citadas, a mitologia grega também se apropria dessa representação e a compara com Hécate, a deusa grega responsável por guardar a porta do inferno e que dela deriva a palavra hecatombe em nosso idioma, que significa "sacrifício de cem bois", ou massacre grandioso, mortandade.

Lilith na religião

Lilith é de fato conhecida por ser a mulher mais antiga (e talvez a mais controversa do mundo). Teve sua figura decantada em verso e em prosa por vários livros sagrados, entre eles as escrituras apócrifas. Essa figura feminina traz o arquétipo da mulher que não se deixa dominar, e por isso, paga um alto preço pela sua insurgência a uma ordem social basicamente patriarcal.

Segundo alguns textos, Lilith foi criada para viver ao lado de Adão no Paraíso. Porém, por ter um espírito inquieto e questionador, ela não aceitou ser submissa ao seu companheiro, já que ambos tinham sido feitos do mesmo material. Sendo assim, a mulher decidiu ir embora e viver por conta própria. No entanto, a partir daí, Lilith passa a ser considerada um demônio ou uma divindade sombria, ligada às trevas ou a elementos obscuros.

Apesar de não ter seu nome mencionado explicitamente na bíblia sagrada, Lilith aparece nas entrelinhas no livro de Gênesis, capítulo 2, que afirma que Deus criou outra mulher, que seria Eva, abrindo margem para especulações no que diz respeito à existência de uma primeira mulher - no caso, Lilith - que teve o nome banido devido à sua rebeldia.

Assim, formou-se um contraponto entre Eva e Lilith, em que a primeira representa a mulher feita a partir da costela do homem para viver sob a tutela masculina; e a segunda, a mulher que não aceita um papel menor devido à sua condição feminina e, por isso, questiona o criador com veemência e rejeita a submissão, inclusive não aceitando ficar embaixo de Adão durante a relação sexual.

Lilith na astrologia e mapa astral

O glifo da lua negra com uma cruz embaixo é geralmente utilizado para definir o posicionamento de Lilith no mapa astral. E a lua tem um papel importante no desenho dessa influência, pois interage com a nossa sensibilidade e nossas emoções. Assim, se alinha também aos possíveis sentimentos provocados pela pressão de Lilith, como solidão, tristeza e opressão.

É um ponto no nosso mapa astral desconhecido por muita gente, mas que pode trazer influências peculiares, que devem ser analisadas sob a ótica dos signos e casas onde está posicionada.

Na astronomia, Lilith - ou Lua Negra, foi tida como um corpo celeste invisível que transita em torno da Lua. Por analogia, na astrologia, a Lua Negra é analisada por um prisma muito particular, pois pode indicar também ausência de algo, ou até mesmo, representar sentimentos nefastos.

A simbologia de Lilith no mapa traz uma energia muito forte, muitas vezes carregada de negatividade, justamente por representar parte do lado obscuro e sombrio do indivíduo. Assim, conhecer a posição em que Lilith se encontra em nosso mapa astral é interessante para obter conhecimento a respeito de possíveis bloqueios, pressões ou insatisfações com os quais temos que eventualmente lidar.

É obtida quando a Lua está em seu apogeu (ponto mais distante da Terra) e fala sobre o nosso lado feminino (representado pela Lua) se sentindo isolado, pressionado, como se fosse mal compreendido. Naquele ponto específico do mapa astral, é como se houvesse grande insatisfação ou compulsão. É onde queremos ter uma liberdade diferenciada e realizar nossas vontades, onde não admitimos que desejos sejam negados. É preciso controlar essa energia para que não se torne destrutiva. Lilith também costuma simbolizar a versão feminina de Plutão.

As energias de Lilith: positivas ou negativas?

Como qualquer aspecto do Mapa Astral, Lilith traz influências energéticas que podem ser vistas de diversas formas, como por exemplo:

Lado Positivo: forte energia feminina que não aceita passivamente ser oprimida. Quer que sua voz seja ouvida, quer ser reconhecida e de certa forma, contemporaneamente, tem bastante a ver com o feminismo. Pode ajudar a pessoa a entender nuances da sua sexualidade assim como a se sentir mais independente e segura.

Lado Negativo: aflora os temores da pessoa, traz à tona inseguranças e frustrações por conta de desejos reprimidos. Pode indicar obsessões e tendências sexuais mais complexas, promiscuidade e outras questões. É onde a pessoa pode se sentir mais rejeitada e vingativa, assim como mais intransigente, possessiva ou insaciável.

Lida com questões mais ligadas ao nosso lado inconsciente, por isso, é interessante termos conhecimento sobre essas questões para lidarmos positivamente com elas. Embora possam parecer problemáticas à primeira vista (pois estão ocultas, na sombra), essas questões ganham um novo prisma quando jogamos luz em cima delas. Dessa forma, Lilith contribui com mais um pedaço do grande quebra-cabeças do autoconhecimento que é o mapa astral.

É onde também podemos exercer certo fascínio sobre os outros. Se analisada junto com outros planetas em que forme uma conjunção, por exemplo, quando a pessoa age nos termos daquele planeta, geralmente atrai atenção positiva. Só que quando esse possível fascínio é ativado, podemos atrair inveja e ter nossas energias drenadas.

É também um local do mapa onde nada nos supre, gerando com isso a possibilidade de uma compulsão estilo "saco sem fundo", onde temos uma maior necessidade de ficar alimentando aqueles temas com frequência para sentir um maior contentamento.

O ideal é analisar a Lilith no mapa levando em conta em que signo e casa onde está posicionada, além de possíveis aspectos com outros planetas. Com isso, podemos ter indicações e entendimentos sobre certos comportamentos e acontecimentos, até mesmo, inconscientes, e como utilizar de maneira positiva essa força que, ao mesmo tempo em que é controversa, é fonte de atração e traz uma tremenda energia para todos nós.

Lilith na astrologia Védica

Além da astrologia ocidental, Lilith se manifesta na astrologia védica. Porém, neste caso, ela aparecerá com várias denominações, já que a cultura védica se apoia na reencarnação. Sendo assim, o princípio reencarnatório se aplicaria também aos deuses, e por isso, é comum que uma mesma divindade tenha vários nomes.

No caso de Lilith, ela seria conhecida também como Rudrani, a esposa de Rudra (ou Shiva). Ambos são deuses muito antigos, que precedem a própria criação humana. Uma das explicações sobre o surgimento dessas entidades é que ambos foram criados por Brahma, o Deus da criação hindu. Primeiro veio Rudra, um ser hermafrodita e violento. A partir da determinação de Brahma, houve a separação do homem e da mulher, e com isso surgiu Rudrani, a versão feminina de Rudra, sendo ela dona de uma personalidade ainda mais feroz.

Rudrani era uma deusa que necessitava de liberdade total e a sua força destruidora só poderia ser amenizada quando Rudra se submetia as suas vontades, até mesmo no ato sexual em que ela o dominava, ficando sempre por cima. No momento em que foram separados, passaram viver em locais de exata oposição no céu.

Todavia, na astrologia védica, há outra compreensão sobre Lilith, onde ela é entendida como sendo a morte. Neste caso, a compreensão da morte pode ser algo mais amplo, pois pode representar o fim de um ciclo, de algo que precisa morrer para que outras perspectivas floresçam. Portanto, a Lilith virá para encerrar uma situação, mas geralmente de formas não muito tranquilas.

As outras facetas de Lilith

Como já vimos, Lilith está presente tanto na astrologia ocidental quanto na astrologia védica. Nesta última, devido às inúmeras reencarnações, assume o nome de Rudrani, Kali, Durga, Nyrder, etc. Porém, a sua presença no mapa sempre marca uma energia catalisadora, com características um pouco caóticas.

Desta forma, para compreender esta entidade controversa que possui uma dinâmica tão particular se movimentando no universo de forma múltipla e difusa, é necessário saber que Lilith possui quatro variantes, podendo, assim, ser encontrada em diversas posições em um mapa.

Mas, o ponto de marcação mais tradicional é a chamada Lua Negra mesmo. Como a lua orbita de maneira oval pela Terra (órbita elíptica), existem alguns momentos do mês em que ela está mais afastada de nosso planeta, sendo o apogeu da lua. Muitos astrólogos utilizam esse ponto focal para marcar Lilith no mapa e também consideram essa como sua presença mais marcante, relacionando o apogeu da Lua com o exílio de Lilith.

A partir daí, existem as variações. A primeira é geralmente chamada de Lua Média. A outra variante é a Lua Verdadeira, que diz que a lua orbita em torno do baricentro, ou seja, do núcleo da Terra. A explicação para essa Lilith ser chamada de "verdadeira" pode ser um pouco complexa, mas vamos tentar simplificar. A Terra faz o movimento de rotação (24h) e o de translação (1 ano). Porém, há outro movimento, chamado de oscilante (ou precessão dos equinócios, como se fosse um bambolê girando). Assim, o planeta oscila em um determinado período, mudando 1 grau a cada 72 anos. Dessa forma, é necessário fazer um ajuste nessa variação do eixo de rotação. Observar a órbita em torno do núcleo seria um cálculo mais preciso, considerando essa variação. Por isso, a Lilith Verdadeira também é chamada de Lilith Oscilante, pois utiliza mais esse movimento terrestre para calcular seu ponto.

Existem ainda outras vertentes que podem servir de base para calcular a localização da Lilith em um mapa: Lilith Asteróide e Lilith Lua Fantasma. Elas também completam as simbologias mitológicas de Lilith, ou seja, contam sua história.

Lilith Asteróide - A única representação "física" de Lilith (as outras são pontos virtuais), já que se trata de um asteróide descoberto em 1927. Quando esta face de Lilith se pronuncia no mapa, é dito que acentua um constrangimento em uma determinada área da vida, como bullying que acarretou ressentimentos e traumas. É quando Lilith decide romper com a opressão e foge, se exilando.

Lilith, a Lua Fantasma - A outra forma de Lilith, talvez a mais controversa, é a Lua Fantasma (Waldemath ou Sepahrial). Enquanto no Asteróide Lilith temos a presença do constragimento, da humilhação e do bullying, aa Lua Fantasma manifesta a energia da vingança e da retaliação. Lilith está em seu isolamento, sofrendo toda sua dor e suas emoções mais íntimas, como o desejo de vingança e outros sentimentos obscuros.

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